Sonhos estranhos durante a quarentena? Ciência explica o motivo

Provavelmente você ou alguém do seu convívio teve sonhos estranhos durante a quarentena, alguns até pesadelos assustadores. Muitos internautas, inclusive, têm compartilhado seus sonhos com a hashtag #PandemicDreams (sonhos pandêmicos). E não é coincidência: existe uma explicação científica para isso.

Estamos passando por um longo período de estresse, o que contribui para sonhar com mais frequência e ter sonhos estranhos. Uma pesquisa recente sobre sonhos e coronavírus comandada pela Universidade de Berkeley, na Califórnia, Estados Unidos, mostrou que a incidência de sonhos vívidos aumentou à medida que o vírus se espalhou pelo mundo.

A análise sugere que que nossos sonhos são sensíveis ao ambiente social durante o dia, o que explica o motivo de as pessoas estarem sonhando mais com amigos e familiares próximos no momento. 

Outras pesquisas anteriores, por exemplo, já haviam constatado que eventos como o 11 de setembro são capazes de mudar a maneira como as pessoas sonham, tornando-os mais intensos e memoráveis nos dias após o ataque. 

Ainda, durante a Segunda Guerra Mundial, a escritora Charlotte Beradt coletou cerca de 75 sonhos de pessoas que viviam sob o governo nazista e lançou o livro “O Terceiro Reich dos Sonhos”.

O que acontece no nosso cérebro

Durante o sono, o cérebro processa o estresse, a ansiedade e outros sentimentos que você tem enquanto está acordado. O movimento rápido dos olhos (REM) é o estágio do sono mais intenso, no qual temos os sonhos mais vívidos.

O sono REM ocorre em ciclos que duram entre 90 e 120 minutos, podendo se repetir algumas vezes durante a noite. Assim, quem está dormindo até mais tarde por ter horários mais flexíveis no isolamento, por exemplo, terá mais ciclos REM durante a noite.

Se você assistir ao noticiário todos os dias e ficar nas redes sociais por horas, será bombardeado com informações sobre o coronavírus. O que pode deixá-lo assustado ou preocupado e, consequentemente, os sonhos serão afetados. 

Com isso, a tensão das últimas semanas pode resultar em sonhos igualmente aflitivos, pois os sonhos podem não só nos ajudar a enfrentar questões, mas também refletir a realidade.

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Também existe uma explicação para estar lembrando de todos os sonhos. Quando acordamos, o cérebro leva cerca de cinco minutos para começar a codificar a memória. Isso significa que, se você acordar por alguns segundos, mas voltar a dormir, não se lembrará. Porém, se você tiver um nível mais alto de ansiedade, é mais provável que você fique acordado o suficiente para codificar memórias e, assim, lembrar mais de seus sonhos.

Lidando com os sonhos

A boa notícia é que existe uma forma de lidar com o cenário. Para quem deseja recuperar o “controle”, vale a pena se programar antes de ir para a cama.

Escolha uma categoria de sonho que você gostaria de ter, como estar na praia e, na hora de dormir, lembre-se disso. Imagine-se na praia, coloque uma foto ou outros objetos relacionados ao tópico na sua cabeceira para ser a última coisa que você verá antes de desligar a luz. Repita para si mesmo o que você quer sonhar enquanto dorme.

Evite ainda assistir ao noticiário no final do dia. Opte por uma atividade mais relaxante, como praticar yoga, meditação ou beber um chá com propriedades calmantes.

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Sobre o autor

Julia Moraes
Julia Moraes
Estagiária de Jornalismo