Síndrome da Cabana: Entenda porque há quem não queira o fim do isolamento

No início do isolamento social por conta da pandemia, muitas pessoas estavam frustradas por ter que ficar em casa sem ter muito contato com o mundo exterior. No entanto, com o passar do tempo, a gravidade da pandemia e a possibilidade de se infectar, surge o medo de retornar à vida pós-quarentena, sensação que foi batizada de Síndrome da Cabana.

Assim, a Síndrome da Cabana se refere a sentimentos de angústia e receio diante da ideia de sair às ruas e retomar o contato social após ficar isolado. O termo teve seus primeiros relatos em 1900, no norte dos Estados Unidos. Foi criado para explicar um problema que acometia trabalhadores que passavam longos períodos em cabanas no esperando o inverno passar e, depois, tinham receio em retomar o contato social.

Contudo, a síndrome não é um distúrbio psicológico reconhecido, mas isso não significa que os sentimentos não sejam reais. Alguns sintomas podem dificultar o cumprimento dos requisitos da vida cotidiana.

Sintomas

  • Inquietação
  • Motivação reduzida
  • Irritabilidade
  • Desesperança
  • Dificuldade de concentração
  • Sonolência ou insônia
  • Dificuldade em acordar
  • Desconfiança das pessoas ao seu redor
  • Tristeza ou depressão persistente

Causas

Segundo a psicóloga Sabrina Amaral, é como se o nosso cérebro ficasse acostumado a uma nova rotina e aprendesse que estar em casa é a única possibilidade de segurança e proteção diante do coronavírus. Além disso, fatores como passatempos, estudos, mais tempo para a família e para nós mesmos contribui com isso. Dito isso, para pessoas com a personalidade naturalmente introvertida, o sentimento é ainda mais evidente.  

Dicas para lidar com esse sentimento

Respeite seu tempo

É normal se encontrar nessa condição emocional após tanto tempo em confinamento. Faça as coisas no seu tempo, seja gentil consigo e priorize sua saúde mental.

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Foque no que está no seu controle

“Ao focar no que está no seu controle, você diminui a sensação de angústia e medo” explica a especialista. Dessa maneira, crie uma rotina e traga à memória os bons momentos que você já viveu fora. Pense que quando tudo voltar ao normal, você ainda terá controle. Caso você saia e se sinta mal, por exemplo, vá com calma e conduza a situação no seu ritmo.

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Comece devagar

A técnica da dessensibilização sistemática é geralmente usada na Terapia Cognitivo Comportamental e consiste em diminuir uma condição com doses mínimas e crescentes. Aos poucos, acrescente metas para lidar com o “medo”. Por exemplo, você pode ir primeiro até o portão, amanhã até a calçada, depois dar uma volta no quarteirão e assim sucessivamente, até que você se sinta bem com isso

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Busque ajuda profissional 

Se você sentir que isso está afetando sua vida de forma negativa, é essencial buscar ajuda profissional. Assim, pense que isso irá te ajudar a caminhar após um longo período de imobilização.

Fonte: Sabrina Amaral, Psicóloga, Hipnoterapeuta e Coach da Mente

Sobre o autor

Julia Moraes
Julia Moraes
Estagiária de Jornalismo