Sedentarismo: O que fazer para não ser mais uma vítima

Ficar parado virou caso de saúde pública. O sedentarismo, que é a falta de exercício físico associada a hábitos como alimentação inadequada, tabagismo, sono sem qualidade e permanecer por muito tempo em uma posição só (hoje é normal trabalhar por horas sentado em frente ao computador), é uma porta de entrada para o desenvolvimento de doenças que podem ser letais. 

Em certos cantos do mundo, até 70% da população é sedentária – e o impacto disso para a saúde é tremendo. O sedentarismo custa à economia global US$ 67,5 bilhões (R$ 220 bilhões) todo os anos, mais do que o PIB do Paraguai. Desse total, US$ 58,8 bi são gastos anualmente em cuidados médicos decorrentes da inércia prolongada, além de US$ 13,7 bi que são perdidos todos os anos em produtividade.

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As estimativas são parte de uma série de estudos publicada na revista científica Lancet, que revela ainda que a falta de atividades físicas mata todos os anos cerca de 5 milhões de pessoas ─ um número de mortes equivalente ao do tabagismo e maior do que o da obesidade.

Causas do sedentarismo

As razões que levam à falta de movimento são inúmeras, e todas giram em torno do estilo de vida – que mudou muito com o advento tecnológico. É muito mais fácil ficar horas usando o smartphone, jogando videogame e vendo TV do que sair da zona de conforto e investir seu tempo livre em uma caminhada ou outra atividade física. 

A carga horária de trabalho também aumentou nas últimas décadas, deixando o tempo livre cada vez mais escasso. O tempo que sobra é dedicado a atividades mais recompensadoras, como tomar uma cerveja e comer fast-food.

Sem falar que a alimentação está cada vez mais prática com o crescimento dos industrializados no cardápio da população mundial. Muitos deles contêm substâncias nocivas ao organismo – conservantes, muito sódio, corantes – que, aos poucos, “envenenam” o corpo e causam sobrepeso, cansaço (pois não são nada nutritivos) e alergias. 

As crianças são as maiores vítimas desse tipo de consumo. Além de sedentárias, segundo dados de estudos apresentados no Congresso Norte-Americano de Diabetes de 2017, crianças obesas têm predisposição para desenvolver diabetes tipo 2 quando se tornam adultas. 

Um outro estudo concluiu que apenas 17% das crianças (uma amostragem feita nos Estados Unidos) não comem hortaliças e frutas cinco vezes ao dia e 81% não praticam exercício físico cinco vezes semanais. Mais: a criançada fica mais de duas horas em frente a aparelhos eletrônicos, como TVs, games e smartphones. 

Riscos do sedentarismo

Obesidade: falta de exercício físico e alimentação inadequada podem levar a um desequilíbrio metabólico, que causa a inflamação corporal. “No caso da obesidade, a inflamação não é localizada. O que acontece é uma resposta do corpo inteiro, que tenta combater o excesso de gordura acumulada. O tecido adiposo produz constantemente dezenas de substâncias que agridem o corpo”, explica o médico nutrólogo Eric Slywitch em seu livro Emagreça sem dúvida (Editora Alaúde). 

Diabetes: não é preciso ser obeso para ser diabético, mas o quadro inflamatório pode causar uma reação indesejável que é a resistência à insulina, sintoma da diabetes tipo II. Problemas na circulação e na cicatrização, fome e sede excessivas, mau funcionamento de órgãos e surgimento de infecções frequentes (rins e bexiga são os mais afetados) são alguns dos sintomas da diabetes. 

Problemas cardiovasculares: sedentários possuem riscos em dobro de sofrer doenças do coração. É o que afirma a Federação Mundial de Cardiologia, independente do fato de estar ou não acima do peso. Ao somar a inatividade física a uma alimentação rica em alimentos gordurosos pode agravar o aumento do colesterol e, consequentemente, o entupimento de artérias que levam sangue ao coração. 

Como evitar o problema

Mais do que começar a se exercitar, a luta contra o sedentarismo engloba uma série de mudanças de hábitos. “A atividade física é importante, mas, antes de praticá-la, é preciso consultar um médico para avaliar sua condição metabólica. Havendo inflamação, problemas articulares e cardiovasculares, o treino mal direcionado pode ser pior do que o sedentarismo”, alerta Slywitch. 

Ao fazer um check-up de sua saúde, procure um nutricionista para uma avaliação corporal (que mede seu nível de gordura e massa muscular) e, com base nos resultados, elaborar um plano alimentar que reeduque seus hábitos. 

Geralmente, quem é obeso ou enfrenta o sobrepeso possui algum desequilíbrio no relacionamento com a comida, porque tem ligações emocionais muito fortes com o paladar. 

Algumas dicas para melhorar seus hábitos:

– “Pratos coloridos com verduras e legumes, alimentos integrais, ricos em fibras, no lugar dos refinados (arroz branco, por exemplo), além de evitar o excesso de sal e açúcar são medidas bastante benéficas. É importante lembrar que dietas não são uma receita de bolo. Cada pessoa tem uma necessidade nutricional de acordo com seu histórico de saúde, preferências e rotina”, aconselha Gabriela Bisogni, nutricionista do Hospital Israelita Albert Einstein.

– Hidrate-se bastante durante o dia, inclusive no inverno e em tempos mais frios, quando a sede diminui. 

– Evite e reduza ao máximo o consumo de refrigerantes, bebidas alcoólicas e alimentos ricos em açúcar. Eles irritam o organismo e estimulam o processo inflamatório. 

– Exercite-se. A Organização Mundial da Saúde recomenda 150 minutos de atividade física moderada durante a semana – ou 75 minutos de exercícios intensos. 

– Durma bem. Durante o sono, o corpo faz uma espécie de faxina e coloca em dia a produção de hormônios e substâncias que mantêm o equilíbrio e o bom funcionamento corporal. Quando dormimos mal, isso não acontece e o metabolismo não funciona como deve, podendo levar ao ganho de peso, irritabilidade, falta de concentração e risco de lesões musculares e articulares. 

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