Saúde mental e saúde emocional: As diferenças e semelhanças entre elas

Igualmente importantes para o bem-estar e equilíbrio do ser humano, a saúde mental e a saúde emocional estão intimamente conectadas. Saiba as particularidades de cada uma e porque você precisa cuidar de ambas para ser mais feliz e resiliente diante dos desafios da vida.

Saúde emocional: cuidando da qualidade dos seus pensamentos

A saúde emocional diz respeito à percepção de si próprio por meio da autoestima. Quando está saudável, o indivíduo conhece suas emoções (raiva, medo, alegria), mantendo seu equilíbrio e comportamento controlados em situações desgastantes do dia a dia. 

A principal característica da saúde emocional está ligada ao conteúdo dos pensamentos, que podem ser pessimistas ou otimistas. Ao ser prejudicada, a pessoa fica presa em um padrão de pensamentos negativos durante a maior parte do tempo. 

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Dessa forma, o principal sintoma de que a saúde emocional não vai bem é a oscilação constante de comportamento, entre feliz e triste, agitado e apático, além de perder o entusiasmo com facilidade.

“As emoções são uma parte vital do cotidiano das pessoas. Não importa se você está rindo de um programa de TV ou se sentindo incomodado com o trânsito. Esses altos e baixos que você sente podem afetar seu bem-estar. Sem controle, pensamentos e emoções podem arruinar qualquer bom humor. Com o tempo, isso pode se tornar tão comum que até parece normal”, explica Yuri Busin, psicólogo doutor em neurociência do comportamento e diretor do Centro de Atenção à Saúde Mental – Equilíbrio (CASME).

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Saúde mental: reações químicas que importam

Atrelada à saúde emocional, a saúde mental está conectada ao bem-estar do indivíduo e também à sua capacidade de controlar as emoções. No entanto, quando precisa de atenção, pode abrir precedentes para o desenvolvimento de transtornos como depressão, síndrome do pânico e bipolaridade. Ou seja, tem muito mais a ver com sintomas que desencadeiam desequilíbrios fisiológicos e neurológicos. Por isso que, nestes casos, é preciso a intervenção de um psiquiatra, que avalia e diagnostica um possível transtorno mental. 

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A saúde emocional entra como um indicativo importante para descobrir se algo não vai bem com a saúde mental. 

Semelhantes, porém diferentes

Os sintomas são praticamente iguais – insônia, alterações no humor, isolamento social, dificuldade em lidar com situações do dia a dia, falta de motivação e de concentração são alguns relevantes. 

A saúde emocional, entretanto, é mais perceptível porque afeta diretamente a relação com as pessoas e a autoestima. É menos complicada de ser gerenciada, porque tem a ver com o autoconhecimento e a capacidade de aprender a lidar com as emoções. 

Já a mental consiste em descompensações fisiológicas e neurológicas, que exigem acompanhamento profissional para um diagnóstico e tratamento adequados.

As duas são co-dependentes: precisam estar em sintonia para o bem-estar do indivíduo. Se uma não está em equilíbrio, certamente prejudicará a outra, levando a problemas que estão se tornando uma epidemia mundo: depressão, estresse pós-traumático, síndrome de Burnout, bipolaridade e outras doenças que afetam profundamente a saúde mental. Por isso, uma não se sustenta sozinha se a outra não estiver plena.


Como cuidar delas

Ambas possuem basicamente os mesmos caminhos, e o autocuidado é um deles. Embora a saúde mental afetada realmente exija acompanhamento psicológico ou por vezes psiquiátrico, algumas atitudes e mudanças na rotina e no padrão de pensamento podem ajudar. 

  • Exercite-se. O movimento gera reações fisiológicas positivas, com a produção de neurotransmissores. Endorfinas e serotonina são liberadas no sangue e causam bem-estar, otimismo e disposição. Por isso que a OMS recomenda o exercício como principal aliado de doenças como depressão e sedentarismo (que conduz a doenças potencialmente letais como obesidade e diabetes).
  • Medite. A meditação tem o poder de modular a atividade cerebral e alterar padrões. Ao fazer uma meditação diária, de cinco a 20 minutos por dia, em oito semanas é possível notar melhora da concentração, atenção plena e mais autoconhecimento para reconhecer comportamentos e emoções.
  • Cultive sua autoestima. Exercite sua mente a enxergar suas qualidades que fazem de você um ser humano único. Anotar tudo em um papel ou fazer um diário sobre como se sente são estratégias de visualização que ajudam a identificar a origem de suas inseguranças e desequilíbrios.
  • Bloqueie pelo menos uma hora do seu dia para fazer algo que lhe dê alegria e relaxamento. Hobbies como correr, praticar ioga, ler, aprender algo novo são estimulantes e renovam a disposição para encarar o dia a dia.
  • Reveja amigos e pessoas queridas sempre que possível. Uma boa conversa nunca faz mal a ninguém e pode ser terapêutica. Seja para desabafar, dar boas risadas… Esteja sempre cercado de pessoas que lhe fazem bem.
  • Procure ajuda profissional, mesmo que você não tenha algum transtorno mental. Fazer terapia é uma forma de ir a fundo nas emoções e resolver conflitos internos, principalmente se você tem dificuldade em se abrir com amigos e familiares.

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Sobre o autor

Amanda Figueiredo
Amanda Figueiredo
Jornalista, editora sênior de nutrição, saúde e bem-estar.