Por que stories do instagram vicia?

Você já se perguntou quantas vezes assiste aos stories do Instagram durante o dia? A ferramenta foi lançada em 2016. Após um ano, alcançou 150 milhões de usuários. De acordo com uma pesquisa feita pela 99 Firms em 2021, mais de 500 milhões de pessoas interagem por ali diariamente.

E, se você já teve a impressão de que estava viciado em clicar nessas bolinhas dos destaques sem parar, fique sabendo que pode ter sido mais que impressão: eles podem mesmo causar um vício, uma necessidade de assistir sem parar por horas a fio.

No entanto, utilizar essa rede social excessivamente não é saudável. Existem diversos motivos para as pessoas estarem “viciadas” nos stories do Instagram. “Envolve tanto questões biológicas, psíquicas quanto sociais. Está relacionado a um mecanismo de fuga emocional através da busca de prazer e fuga de alguma dor” diz Katherine M. De Paula Machado, psicóloga da Clínica Maia. 

Consequências do uso excessivo das redes sociais

A psicóloga Rosangela Sampaio explica que não saber como gerenciar o uso das redes sociais pode trazer inúmeras consequências negativas. Esse “vício” pode prejudicar as relações sociais, o trabalho, o sono, causar estresse e ansiedade, entre muitos outros.

Geralmente, as pessoas costumam publicar momentos felizes em suas redes sociais – especialmente influencers e celebridades. Como fotos editadas, aplicativos que mudam a forma do corpo e rosto, deixando-os no “padrão”. Ou mostrando seus carros importados, mansões, e acessórios de marcas de luxo, o que pode passar ao público uma imagem de “vida perfeita”.

Assim, há uma grande comparação em torno das vidas e corpos entre as pessoas. Pois elas acreditam que o que está na internet é o ideal. 

“A partir do momento em que se deseja algo que não é verdadeiro ou possível no mundo real, problemas começam a surgir. As consequências são variadas. Desde baixa autoestima, alteração no padrão de humor, depressão, ansiedade e sentimento de exclusão (por não fazer parte do grupo invejado)” complementa Katherine.

Além disso, há o fato de os filtros estarem afetando cada vez mais a saúde mental dos usuários. Isso porque eles proporcionam uma imagem estética totalmente distorcida. Ao longo do tempo, as pessoas começam a notar defeitos inexistentes em seus rostos. 

Mas, o que muitos não sabem é que a ilusão da autoimagem pode contribuir para o desenvolvimento de distúrbios.

Leia também: Obsessão por filtros pode causar distúrbios de imagem

Como o vício no Instagram pode afetar o cérebro

Por mais que não pareça, os stories do Instagram podem realmente afetar o cérebro. Criar stories no seu próprio Instagram se torna ainda mais agradável do que assisti-los. Afinal, muitas pessoas gostam de compartilhar acontecimentos pessoais em suas redes sociais.

Um estudo da Universidade de Harvard mostrou que 30% a 40% da conversa humana é dedicada a revelar informações sobre si mesmo. Dessa maneira, o estudo descobriu que o ato de compartilhar pensamentos e sentimentos ativa os centros cerebrais associados à recompensa.

Já outro estudo da Universidade da Pensilvânia, aponta que o ato de fotografar e gravar eventos aumenta as percepções e memórias dessas experiências.

Por isso, Katherine ressalta o quanto as redes sociais estão associadas às sensações de prazer e satisfação. Por exemplo, quando recebemos curtidas e comentários no Instagram, automaticamente o nosso cérebro entende isso como algo prazeroso.  Isso porque são liberados neurotransmissores iguais aos das substâncias psicoativas.

Dicas para não deixar os stories do Instagram afetarem sua saúde mental

Se há algo que você gosta e admira nas pessoas que você segue, observe quais são esses sentimentos. A partir disso, verá que não precisa se comparar ou tentar “ser”, você pode simplesmente admirar algum aspecto da vida de outra pessoa.

Busque seguir pessoas variadas, principalmente as que levam um estilo de vida parecido com o seu.

Além disso, escolher um hobby para ficar longe das telas é essencial. Busque realizar atividades físicas, ler um livro ou assistir uma série que você goste.  

“Usar um aplicativo para reduzir o tempo gasto em aplicativos pode parecer irônico, mas existem muitos aplicativos e recursos que podem ajudá-lo a limitar o uso de mídia social” finaliza a psicóloga Rosangela.

Fontes:  Katherine M. De Paula Machado, neuropsicóloga da Clínica Maia. 

 Rosangela Sampaio, psicóloga e apresentadora do programa Mulheres Em Flow.

Sobre o autor

Julia Moraes
Julia Moraes
Estagiária de Jornalismo