Obesidade aumenta em até 4 vezes risco de fatalidade por Covid-19

A Covid-19 desafia os sistemas de saúde do mundo todo. E, de acordo com os últimos relatos e estudos, obesidade é um fator importante de agravamento do coronavírus. Assim, segundo uma nova análise norte-americana, estar acima do peso aumenta em até 4 vezes o risco de morte em decorrência do vírus, principalmente em homens e pessoas com menos de 60 anos.

A análise foi publicada nesta quarta-feira (12) na revista “Annals of Internal Medicine”.

Especialistas da Califórnia, nos Estados Unidos, analisaram os dados de 5.652 pacientes que tiveram o teste positivo para o Covid-19 entre fevereiro e maio deste ano. O risco causado pela obesidade foi ajustado no estudo, com uma exclusão de fatores extras como diabetes, hipertensão, problemas cardíacos, entre outros. 

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Assim, os resultados mostraram que os pacientes obesos tinham até quatro vezes mais chance de morrer pela doença, especialmente homens e com menos de 60 anos de idade. 

De acordo com dados do Ministério da Saúde, mais de 4 mil pessoas obesas morreram com a Covid-19 no Brasil desde o início da pandemia. Quase metade delas com menos de 60 anos, índice mais alto para a faixa etária entre as comorbidades.

Anteriormente, uma pesquisa no Reino Unido já tinha constatado essa associação. A informação foi publicada no jornal The Telegraph e fez parte de um estudo do Centro Nacional de Pesquisa e Auditoria em Terapia Intensiva. 

De acordo com o estudo, sete a cada 10 pacientes internados por causa do coronavírus em unidades de terapia intensiva (UTI) no Reino Unido eram obesos ou tinham sobrepeso. Contudo, a pesquisa não encontrou dados sobre diabetes nestes pacientes – um quadro de saúde que já é associado às formas mais graves da doença.

Obesidade e coronavírus: Como funciona na prática 

A obesidade é uma doença complexa, que faz parte das doenças crônicas não transmissíveis (DCNT). De um modo geral, podemos dizer que ela é caracterizada por um acúmulo excessivo de gordura corporal. Tal acúmulo pode levar a outras enfermidades como doenças cardiovasculares, dislipidemia, diabetes tipo 2, síndrome metabólica e alguns tipos de câncer. 

Obesidade pode ser classificada pela distribuição da gordura corporal e por graus, de acordo com o Índice de massa corporal (IMC), que é calculado dividindo-se o peso (em kg) pelo quadrado da altura (em metros).

Portanto, o resultado revela se o peso está dentro da faixa ideal, abaixo ou acima do desejado – revelando sobrepeso ou obesidade.

Classificação do IMC:

  • Menor que 18,5 – Abaixo do peso
  • Entre 18,5 e 24,9 – Peso normal
  • Entre 25 e 29,9 – Sobrepeso (acima do peso desejado)
  • Igual ou acima de 30 – Obesidade.

“Quando falamos em obesidade, não estamos falando apenas de estética. Estamos falando de saúde”, explica a nutricionista Vanessa Losano, de São Paulo. “É uma doença real, e que atinge uma parcela muito grande da população mundial. Assim, ela altera nosso organismo e seu funcionamento, e podemos ficar mais suscetíveis a inflamações. Com isso, ficamos mais propensos a adoecer, seja por fatores internos ou externos, como o caso de vírus como o Covid-19, bactérias e fungos”, esclarece.

  • Segundo a especialista, a obesidade traz com ela diversos problemas, como: 
  • Aumenta a sobrecarga em nossas articulações;
  • Reduz a mobilidade;
  • Aumenta o peso em cima dos pulmões, o que por sua vez prejudica a respiração;
  • Altera as funções hormonais, o que traz junto vários outros problemas, como aumento na liberação de insulina, podendo ocasionar em diabetes, redução na produção de alguns hormônios, aumento na produção de outros;
  • Problemas de circulação (que podem levar ao aumento da pressão);
  • Doenças cardíacas;
  • Queda na imunidade.

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