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Mindful Eating: O método que ensina a comer de forma consciente

Comer com atenção plena. Buscar constantemente se alimentar de maneira consciente, percebendo o tipo de alimento se está ingerindo e o gosto, a fim de extrair o máximo benefício. É o que prega o mindful eating, técnica milenar bastante usada na nutrição comportamental e que propõe a conscientização dos sinais e das respostas ao ato de nutrir-se, mantendo a curiosidade no sentido de buscar a percepção das sensações.

O que é e como funciona

“O mindful eating propõe um desafio à sociedade moderna, sem tempo, para redirecionar, conscientizar e ter plena lucidez ao comer”, diz a Dra. Fernanda Vasconcelos, médica nutróloga do Hospital Santa Cruz, de São Paulo. 

Segundo a especialista, para se comer consciente é preciso perceber as sensações envolvidas em todo o processo do ato de se alimentar, tanto física quanto emocionalmente, desde a fome, a escolha dos alimentos, o preparo do cardápio e a plenitude quando ficamos satisfeitos após o término da refeição. 

Orientações bem simples podem fazer grande efeito nos resultados. “Iniciar as refeições por uma salada, não ter comida na mesa (prato pronto), e comer conscientemente e devagar, pois o ritmo da refeição é importante para reconhecer a resposta de saciedade – e isso leva em média 20 minutos após o início da refeição”, explica Michael Zanchet, psicólogo clínico especializado em comportamentos de saúde, estresse e ansiedade.

“Toda vez que pensar sobre a possibilidade de ingerir algum alimento, reflita e se questione: ‘Há quanto tempo fiz a última refeição?’. Caso tenha sido menos há de três horas, questione-se novamente: ‘Fome de que você tem?’, completa o especialista. “Se fizer três horas ou mais, provavelmente é necessidade nutricional, mas caso o período seja menor, pode ser ansiedade, tristeza ou, até mesmo, sede”. 

Mindful eating x emagrecimento

De acordo com o mindful eating, nenhum dos extremos é “certo” na hora de se alimentar. Se a relação com a comida não é boa, ela vira obsessão, aumenta a insatisfação e a insegurança, o que leva a más escolhas à mesa, num círculo vicioso.

Apesar de não se tratar de uma dieta (a técnica não trabalha com restrição, plano alimentar, contagem de calorias ou alimentos proibidos), esse conceito pode ajudar no controle do peso.  “A diferença é que esse método busca proporcionar uma nova relação com a comida, modificando o hábito de se alimentar desorganizadamente e buscando levar esse hábito solidificado para a vida”, garante o psicólogo.

“Rejeitar a mentalidade de dieta é o primeiro passo do comer intuitivo, buscando uma relação mais saudável com a comida. São práticas bem diferentes das prescrições habituais de um regime e buscam a reconexão com os sinais internos de regulação alimentar”, afirma a médica. 

A filosofia alimentar busca ainda ensinar a distinguir a fome física em meio à descarga de diversas sensações simultâneas produzidas no dia a dia. “Muitas pessoas comem na tentativa de preencher outro vazio, que não é a fome, como o tédio, a tristeza, a ansiedade ou estresse. Esse discernimento é fundamental”, afirma a nutróloga. “Ler, escutar música, assistir televisão, ficar no celular ou tablet tendem a desfocar nossa atenção à comida e predispor ao exagero. Isso é muito prejudicial, e vai de encontro ao processo de atenção e conscientização plena durante as refeições”, completa. 

Os benefícios do comer consciente

Ansiedade, compulsão alimentar, transtornos de humor, depressão, estresse pós-traumático, dor crônica, câncer, abuso de substâncias, entre muitas outras condições clínicas: todas podem ser melhor gerenciadas a partir da prática de mindful eating.

Para quem adota esse estilo de comer, uma série de benefícios já foi notada, como: diminuição dos fatores de risco para transtornos alimentares, redução de compulsões relacionadas à comida, menor internalização de ideais de magreza, associação do prazer em comer, menos prática de dieta e menor ansiedade em relação à alimentação. 

“O método permite ainda a conscientização de si, dos próprios atos, com recuperação de autocontrole e autoconfiança, dando menor chance a comportamentos indesejados, impensados, exageros e compulsões. Tudo isso reflete na redução do IMC (índice de massa corpórea), com melhora do perfil metabólico e saúde psicológica”, garante a especialista. 

Dicas para praticar o mindful eating

  • Dedique-se de forma absoluta em toda e qualquer refeição evitando dividir a atenção com outras atividades ou distrações, como aparelhos eletrônicos;
  • Sente para comer em vez de ficar em pé, na frente da geladeira, seguindo padrões “beliscadores”, que atrapalham a conscientização da refeição tanto em qualidade quanto em quantidade;
  • Aproveite cada mordida: preste atenção no cheiro, na temperatura e na textura da comida;
  • Diários alimentares podem ajudar as pessoas a ter maior consciência e visualização do que estão comendo. Nem todos têm essa disponibilidade e organização para fazer, mas quem tem pode auxiliar;
  • Prepare cuidadosamente seu próprio alimento, atentando a cada detalhe. Tudo isso faz parte do processo de alimentar-se. O mindful eating é um convite à lucidez de todas essas sensações.
 
 

Sobre o autor

Amanda Figueiredo
Amanda Figueiredo
Jornalista, editora sênior de nutrição, saúde e bem-estar.