Influenciadores podem incentivar crianças à má alimentação

Influenciadores mirins estariam estimulando crianças à má alimentação. É o que alertam cientistas da Universidade de Nova York, nos Estados Unidos, em um novo estudo publicado na revista Pediatrics. De acordo com a publicação, quase metade (42,8%) dos vídeos de maior audiência publicados pelos jovens influenciadores mais populares do Youtube promoveram algum tipo de comida ou bebida. Entre esses alimentos, mais de 90 % eram considerados não saudáveis. 

Para realizar a análise, os pesquisadores identificaram os cinco youtubers com idades entre 3 e 14 anos que tiveram maior audiência em 2019 e avaliaram mais de 400 vídeos publicados em seus canais. Assim, somente as publicações com promoção de junk food haviam sido vistas mais de 1 bilhão de vezes. 

“As crianças já assistem a milhares de comerciais de comida na televisão todos os anos. Incluir esses vídeos do YouTube na programação da família pode tornar ainda mais difícil para pais e filhos manterem uma dieta (emagreça com o Tecnonutri) saudável”, alerta a autora do estudo, Marie Bragg, professora da Escola de Saúde Pública Global da UNY. “Precisamos de um ambiente de mídia digital que apoie uma alimentação saudável em vez de desencorajá-la.”

Má alimentação x Influenciadores mirins

O YouTube é o segundo site mais visitado do mundo e se tornou, nos últimos anos, um destino popular para crianças em busca de entretenimento. Segundo um estudo da consultoria Pew Research Center, mais de 80% dos pais nos Estados Unidos permitem que seus filhos assistam à plataforma e 35 % relatam que os menores acessam o site regularmente.

Ao encontrar vídeos para crianças pequenas assistirem, milhões de pais recorrem a “influenciadores mirins” ou a crianças filmadas enquanto realizam atividades como experimentos científicos, brincadeiras e celebração de aniversários. “O fascínio do YouTube pode ser especialmente forte agora. Já que muitos pais estão trabalhando remotamente e precisam lidar com a difícil tarefa de ter filhos pequenos em casa por causa do Covid-19”, acrescenta Marie Bragg.

Além disso, a grande audiência desses canais tem chamado a atenção de marcas famosas. Que aproveitam a popularidade dos pequenos para patrocinar postagens sobre os seus produtos, todos não saudáveis.

“Os pais podem não perceber que os influenciadores mirins geralmente são pagos por empresas de alimentos para promover esses produtos. Dessa maneira, nosso estudo é o primeiro a quantificar até que ponto os produtos de junk food aparecem nos vídeos do YouTube de crianças influenciadoras”, afirma a autora.

Entretanto, e os pesquisadores não saibam especificar quais vídeos tenham sido pagos por marcas, eles consideram as publicações problemáticas para a saúde pública. Pois, elas permitem que empresas alimentícias promovam diretamente – ainda que sutilmente – alimentos não saudáveis para menores e seus pais.

Obesidade infantil

“É uma tempestade perfeita para encorajar a má nutrição. Assim, a pesquisa mostra que as pessoas confiam nos influenciadores porque eles parecem ser ‘pessoas comuns’. E quando você vê essas crianças comendo certos alimentos, não necessariamente se parece com publicidade. Mas, é publicidade. E vários estudos mostraram que as crianças que veem anúncios de alimentos consomem mais calorias do que aquelas que veem anúncios não alimentícios. É por isso que a Academia Nacional de Medicina e a Organização Mundial da Saúde identificam o marketing de alimentos como um dos principais impulsionadores da obesidade infantil”, completa a pesquisadora.

obesidade é uma doença complexa, que faz parte das doenças crônicas não transmissíveis (DCNT). De um modo geral, podemos dizer que ela é caracterizada por um acúmulo excessivo de gordura corporal. Tal acúmulo pode levar a outras enfermidades como doenças cardiovasculares, dislipidemia, diabetes tipo 2, síndrome metabólica e alguns tipos de câncer. “A obesidade infantil é ainda mais preocupante, considerando que os hábitos alimentares e o sedentarismo na infância estão entre os principais fatores para o seu desenvolvimento, elevando a probabilidade dessa criança se tornar um adulto obeso”, explica Profª. Dra Silvia Maria Franciscato Cozzolino, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP.

De acordo com o Ministério da Saúde, 4,4 milhões de crianças estão acima do peso no Brasil. Mais de 2 milhões têm sobrepeso, cerca de 1 milhão tem obesidade e, aproximadamente, 750 mil crianças tem obesidade infantil grave. 

Além disso, de acordo com os últimos relatos e estudos, obesidade e coronavírus apresentam uma relação de risco. Assim, segundo a ciência, pessoas que estão acima do peso podem desenvolver as formas mais graves da infecção. 

(Fonte: Agência Einstein)

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