Dismorfia do Zoom: Como videochamadas afetam a autoestima

Durante a pandemia do novo coronavírus (COVID-19), muitas pessoas tiveram que se adaptar a novos modelos de trabalho, como o home office. Assim, reuniões que antes eram presenciais foram substituídas por videochamadas. Contudo, nem todos estão lidando bem com isso. Segundo uma pesquisa publicada na revista Facial Plastic Surgery & Aesthetic Medicine está ocorrendo algo um tanto quanto preocupante: a Dismorfia do Zoom.

A Dismorfia do Zoom – ou Zoom Dysmorphia – é em um distúrbio psicológico em que o indivíduo fica obcecado por uma falha percebida na aparência durante as reuniões remotas. O termo “Zoom” faz a menção a um dos aplicativos de videoconferência mais populares.

Os pesquisadores realizaram o estudo a fim de mostrar que as câmeras ligadas o tempo todo influenciam negativamente na percepção em relação à aparência. 

Desse modo, esse fenômeno ocorre pelo fato de as pessoas estarem frente a frente com a imagem de si próprias de forma muito mais constante. A ansiedade e estresse acumulados neste período de pandemia podem contribuir com a dismorfia. 

Além disso, também há o Zoom Fatigue, que se refere ao esgotamento causado pelo excesso de videochamadas. Com essas reuniões, há quem se sinta como se tivesse passado o dia em uma longa e interminável reunião. Queda de cabelo, dores de cabeça e musculares e uma sensação de desmotivação são alguns dos sintomas.

Leia mais em: Zoom Fatigue: Esgotamento causado por excesso de videochamadas

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Dismorfia corporal x Dismorfia do Zoom

A dismorfia corporal é um transtorno mental caracterizado pela preocupação obsessiva com o próprio corpo corpo. Assim, quem sofre com este distúrbio tem a percepção de um defeito imaginário no próprio corpo, o que faz com que acredite que todos percebem essa anomalia.

É o que ocorre na Dismorfia do Zoom, durante as reuniões remotas as pessoas encontram “defeitos” em seus rostos e tendem a acreditar que os outros estão reparando em sua aparência. 

Leia mais em: Dismorfofobia: Transtorno dismórfico corporal

Com isso, surge um comportamento de vergonha da própria imagem, desconforto na presença de outras pessoas e, muitas vezes, a busca por soluções como cirurgias plásticas.

O que fazer

De acordo com um estudo divulgado pela ISAPS – Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética, no ano de 2018, o Brasil registrou a realização de mais de 1 milhão de cirurgias plásticas, além de 969 mil tratamentos estéticos não cirúrgicos.

A insatisfação excessiva com a própria imagem pode levar ao isolamento social e até mesmo a depressão. Portanto, para evitar que isso aconteça, o recomendado é buscar ajuda de um psicólogo para cuidar da saúde mental, por meio da terapia.

Em casos mais graves, se houver sintomas depressivos e ansiosos associados, pode ser recomendado o uso de medicamentos.

Sobre o autor

Julia Moraes
Julia Moraes
Estagiária de Jornalismo