Disbiose capilar: O que é e como atrapalha a saúde do cabelo

Você provavelmente já deve ter escutado por aí que o nosso intestino abriga milhões de micro-organismos diferentes. Contudo, pouca gente sabe que outras partes do corpo também dispõem de suas próprias microbiotas — como é o caso do couro cabeludo. E quando as bactérias presentes nele entram em desequilíbrio, acontece a chamada disbiose capilar.

O que é a disbiose capilar

O couro cabeludo, assim como o intestino ou estômago, funciona como um verdadeiro ecossistema, e hospeda tanto bactérias e fungos “do bem”, ou seja, que promovem um melhor ambiente para os fios; quanto micro-organismos patogênicos. E a disbiose capilar aparece justamente quando a proporção entre esses dois grupos fica muito desigual.

O problema gera uma inflamação na região, aumentando as chances de enfraquecimento e de encurtamento dos fios. “Além disso, a disbiose não permite que o cabelo atinja seu potencial máximo de crescimento e promove quedas, irritações e até descamações”, explica a dermatologista Regislaine Miquelin, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

Hábitos que evitam a disbiose capilar

Alguns estudos já investigam se o tipo de cabelo (liso, cacheado ou crespo) tem relação com a formação da flora do couro cabeludo — e também com a sua propensão ao desequilíbrio. Mas dá para melhorar a saúde da região com hábitos simples:

  • Evite o uso de produtos químicos muito abrasivos (tinturas, progressivas e relaxamentos);
  • Não tome banhos quentes demais;
  • Seque os cabelos antes de dormir se eles estiverem úmidos;
  • Não lave excessivamente os fios, e retire muito bem a máscara e o condicionador durante o enxágue;
  • Pegue leve no consumo de álcool e cigarro.

Tratamentos e relação com a flora intestinal

Felizmente, a disbiose capilar tem tratamento. O principal deles, por exemplo, é cuidar da saúde intestinal e consumir mais fontes de probióticos. Isso porque a flora do órgão tem ligação com a regulação de outras microbiotas do corpo — incluindo a da pele e a do couro cabeludo.

O dermatologista Herbeth Sobral afirma que os probióticos podem ser encontrados em itens fermentados, como kefir, kombucha e chucrute, ou em suplementos. São bactérias benéficas (como lactobacilos e bifidobactérias) que ajudam a controlar o crescimento desenfreado das suas “amigas” nocivas.

Mas vale lembrar: os probióticos se alimentam dos prebióticos, fibras solúveis presentes em frutas, verduras, hortaliças e legumes. Apostar em um cardápio rico nesses últimos ingredientes, então, também contribui para o equilíbrio do intestino (e consequentemente do couro cabeludo).

Já o uso dos probióticos tópicos (como shampoos, tônicos e condicionadores), apesar de não tão amplamente estudado, é recomendado por alguns profissionais. “Eles podem agir diretamente no couro cabeludo, o que estimula o crescimento do fio, diminui a produção de sebo e, além disso, protege o local”, diz Regislaine Miquelin.

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