Cirurgia bariátrica: O que é, para que serve e diferentes tipos

A cirurgia bariátrica é uma intervenção feita em casos de excesso de peso. Ela surgiu em 1991 e realiza-se no aparelho digestivo. Apenas para pacientes de obesidade mórbida ou obesidade de grau III e com idade acima de 18 anos.

obesidade é uma doença complexa. Ela faz parte das doenças crônicas não transmissíveis (DCNT). É caracterizada por um acúmulo excessivo de gordura corporal. O acúmulo pode levar a outras enfermidades. Como doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e alguns tipos de câncer. 

Antes de passar pelo procedimento, o paciente precisa da avaliação de mais de um médico, inclusive de um psiquiatra. Ainda, existe mais de um tipo de bariátrica.

Entre as vantagens da cirurgia – além da perda de peso, é possível citar:

  • Melhora de diabetes
  • Melhor controle do colesterol
  • Melhora da saúde cardíaca

Diminuição do risco de mortalidade pela obesidade.

Ainda, pode favorecer também pacientes de asma ou que sofrem de insuficiência respiratória.

comer bem e cuidar da mente

Tipos de cirurgia bariátrica 

Primeiramente, na cirurgia de bypass ocorre a diminuição do tamanho do estômago. Sendo assim, ele fica com 10% do original. Ainda, realiza-se um desvio do estômago para o intestino inicial (delgado). Portanto, isso faz com que o paciente precise comer menos para sentir saciedade.

Ainda, existe o tipo chamado de sleeve ou gastrectomia vertical. Em resumo, nessa possibilidade, a redução do estômago não é tão drástica, pois reduz-se apenas de 70 a 85% do órgão. Sendo assim, ele acaba por se tornar um grande tubo estreito. Essa é uma técnica irreversível. Em contrapartida, a bypass é reversível, em teoria.

Já a derivação Bilio-pancreática ou derivativa combina as técnicas sleeve e bypass. Ou seja, há a redução do estômago. mas também cria-se um acesso que leva os alimentos diretamente do estômago para o intestino grosso. Sem passar pelo intestino delgado, onde acontece a digestão.

Por fim, a cirurgia gástrica ajustável é a técnica de balão de silicone, feita no estômago. Então, na hora das refeições, o paciente pode aciona-lo e ele diminui o tamanho do estômago. Dessa forma, controla o apetite. Essa é uma técnica pouco popular.

Antes da cirurgia 

Os meses anteriores à cirurgia requerem alguns cuidados e preparativos. Por exemplo, exames de rotina serão necessários, como o exame de sangue. Não só, também será preciso medir a glicemia, a pressão arterial, o colesterol (HDL e LDL) e os triglicérides.

Ainda nessa fase, os hábitos alimentares do paciente precisam ter acompanhamento, pois, de acordo com um estudo da PUC-PR, esse é um período em que episódios de compulsão alimentar podem acontecer com mais frequência. Por isso, é muito importante ter uma avaliação multidisciplinar, assim é possível reduzir o risco de complicações.

Além disso, é preciso avaliar os possíveis riscos da cirurgia. Por isso, precisam ser levadas em consideração as doenças do paciente. Por exemplo, o procedimento pode não ser recomendável para quem sofre de coágulos sanguíneos, de doenças no fígado ou de problemas do coração. Também é preciso considerar hábitos como o tabagismo e o alcoolismo. Ainda, a cirurgia é contraindicada para pessoas dos seguintes perfis:

  • Deficiência intelectual significativa
  • Sem suporte familiar adequado
  • Doenças genéticas
  • Que fazem uso contínuo de drogas ilícitas

Depois da cirurgia

Os meses após a cirurgia exigem ainda mais cuidado. Por isso, será uma fase em que visitas ao médico serão frequentes, exames vão ser necessários e a alimentação será menor, por isso, é importante garantir a boa nutrição do corpo. Se comparado com o de outros tipos de cirurgia, o tempo de recuperação também é mais longo.

Por isso, nos primeiros dias depois da cirurgia, a dieta (emagreça com o Tecnonutri) líquida é a recomendação dos médicos. Em seguida, a dieta triturada tem início e, em seguida, a pastosa. Gradualmente, a dieta sólida começa. Já nas primeiras 24 horas após o procedimento, o paciente precisa se hidratar, por isso, deve beber ao menos 2 litros de água. Isso ajuda a evitar algumas das complicações mais comuns que se relacionam à bariátrica. Desidratação, pedras nos rins e trombose.

Ainda, existem outras complicações que podem acontecer, como por exemplo:

  • Embolia pulmonar
  • Febre
  • Dor forte
  • Dificuldade de respirar
  • Vômitos
  • Diarreia
  • Fezes com sangue
  • Infecção 
  • Hemorragia interna
  • Formação de coágulos de sangue
  • Reação à anestesia
  • Desnutrição (falta de nutrientes, como a vitamina B12)
  • Anemia

Alimentação depois da cirurgia bariátrica

A alimentação nos meses depois da cirurgia merece atenção especial. Por isso, a dieta divide-se em fases: nos 7 primeiros dias posteriores, a dieta deve ser 100% líquida. Em seguida, dá-se início à dieta triturada e depois, pastosa. Por fim, é só cerca de um mês depois da cirurgia que começa a dieta sólida.

Dieta líquida

Primeiramente, a introdução da dieta líquida é feita nas primeiras 24 horas depois da cirurgia. Ela pode durar de 7 a 15 dias. Nessa fase, o paciente só pode dar pequenos goles de cada vez, sem exagero. Ainda, apenas alguns líquidos podem fazer parte da fase líquida como, por exemplo: água de coco, chás claros (sem cafeína), sucos naturais bem diluídos, caldos ralos de legumes ou carnes e, claro, a água mineral. A água com gás não é recomendável. Chás como o de camomila e o de hortelã são ideais.

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Dieta triturada

Em seguida, passados os 7 primeiros dias, já é possível dar início à dieta triturada. Nessa fase, é possível incluir alimentos sólidos, porém, eles devem ser triturados antes do consumo. Ainda, a quantidade de ingestão diária pode chegar aos 100 ml. Os melhores alimentos para essa etapa são: os chás e sucos de frutas não-cítricas, cereais como aveia ou creme de arroz, carnes brancas, gelatina sem açúcar, legumes como abóbora, aipo ou inhame, bem como vegetais cozidos como abobrinha, berinjela ou chuchu.

Dieta pastosa

Posteriormente, tem início a dieta pastosa. Ela é a última fase antes da reinserção dos alimentos sólidos à dieta. Em geral, ela começa por volta de 15 dias após a cirurgia e pode durar de 15 a 20 dias. Os melhores alimentos para esse período da recuperação são:

  • Cremes e caldos 
  • Sopas
  • Mingaus
  • Purês de frutas 
  • Purês de leguminosas ou de proteínas
  • Vitaminas e smoothies de frutas

Dieta sólida

Por fim, cerca de um mês ou 45 dias depois da cirurgia, o paciente pode voltar a consumir alimentos sólidos. Sendo assim, as refeições diárias passam a ser divididas em 6. Ainda, é recomendável fazer uso de um prato menor, como o de sobremesa, para melhor controlar a quantidade. Não só, beber água continua sendo importante, por isso, o paciente não deve beber menos que 2 litros diários.

No entanto, nem todos os alimentos estão livres para consumo, afinal, é importante manter a dieta o mais “limpa” e nutritiva possível. Sendo assim, encoraja-se o consumo dos seguintes alimentos:

  • Frutas 
  • Legumes
  • Leguminosas
  • Cereais e grãos integrais
  • Carnes magras 
  • Ovo 
  • Leite e derivados
  • Oleaginosas (pequena quantidade)

O que NÃO comer depois da cirurgia bariátrica

Além dos alimentos cujo consumo é recomendável, existem aqueles dos quais o paciente deve passar longe. Por exemplo, os refrigerantes, o café e outros bebidas que tenham cafeína, como chá preto e o chá mate, os salgadinhos, os doces, fast food, comida congelada, embutidos e outros alimentos ricos em açúcar ou sódio não devem fazer parte da dieta de uma pessoa que passou pela cirurgia bariátrica recentemente.

Não só, é muito importante contar com o auxílio e o acompanhamento de um nutricionista.

Sobre o autor

Nathália Lopes
Nathália Lopes
Estagiária de Jornalismo