Bulimia: O que é, sintomas e tratamentos

A bulimia é um distúrbio que se caracteriza por episódios recorrentes e incontroláveis de consumo de grandes quantidades de alimentos, seguidos de reações inadequadas para evitar o ganho de peso, tais como indução de vômitos, uso de laxativos e diuréticos, jejum prolongado e prática exaustiva de atividade física.

Também chamada de bulimia nervosa, a condição leva as pessoas a estarem sempre preocupadas com a aparência e o peso.

Os recursos de que se valem para não engordar provocam complicações no organismo, como destruição do esmalte dos dentes, inflamação na garganta, sangramentos, problemas gastrintestinais, rasgos no esôfago devido ao excesso de vômitos ou desidratação. 

O Manual Diagnóstico e Estatístico feito pela Associação Americana de Psiquiatria enquadra a bulimia como um transtorno alimentar que pode acometer homens e mulheres. Porém, apesar de afetar ambos os sexos, sua incidência é maior no gênero feminino. De acordo com uma pesquisa feita pelo jornal The New York Times em 2017, 85% dos pacientes com bulimia são do sexo feminino.

Muitas vezes confundidas, a bulimia e a anorexia são diferentes. Na bulimia ocorre a compulsão por alimentos seguida por métodos compensatórios. Já na anorexia, a pessoa deixa de se alimentar, perdendo peso rapidamente, chegando às vezes a um estado de desnutrição severa que pode levar à morte.

Conheça as causas da bulimia

“As causas mais comuns são baixa autoestima, insatisfação profunda consigo mesmo. A busca pelo peso ideal, medo de engordar. Da mesma forma, sentimentos de fracasso, incapacidade e impotência diante do peso, do corpo e da alimentação, sobretudo quando come algo ou tem compulsões”, explica Alan David Nicolau, nutricionista graduado pelo Centro Universitário São Camilo e pós-graduado em fisiologia do exercício e treinamento resistido aplicados à saúde.

Fatores de risco

Fatores que aumentam a probabilidade de desenvolver bulimia incluem:

  • Sexo feminino;
  • Idade entre 11 e 20 anos;
  • Fundo de obesidade;
  • Alterações de humor;
  • Histórico de obesidade na família;
  • Membros da família com variações de humor;
  • Baixa autoestima;
  • Infelicidade com peso e tamanho;
  • Emprego ou carreira em que a aparência física é muito importante.

Principais sintomas

  • Preocupação excessiva com o peso e a forma;
  • Perder o controle sobre o que come;
  • Visitas frequentes ao banheiro ao longo ou depois das refeições;
  • Comer em excesso até sentir desconforto ou dor;
  • Vômitos autoinduzidos por inversão dos movimentos peristálticos ou colocando o dedo na garganta;
  • Fazer uso de diuréticos e laxantes após comer;
  • Uso exagerado de enxaguantes bucais, pastilhas e chicletes de menta (eles ajudam a mascarar o hálito de vômito);
  • Calos nas costas das mãos ou nas juntas dos dedos (são uma espécie de cicatriz da repetição frequente do ato de provocar o vômito colocando os dedos na garganta);
  • Sensação clara de desconforto ao comer na frente de outras pessoas;
  • Dietas severas intermediadas por repentinas perdas de controle que levam à ingestão compulsiva de alimentos;
  • Uso de suplementos diários para a perda de peso;
  • Flutuação de peso corpóreo.

Tratamento

O nutricionista, junto de uma equipe multiprofissional formada por especialistas como psicólogos e psicanalista, vai ajudar o paciente a trabalhar e reeducar a sua alimentação, apresentando os alimentos de forma positiva. Da mesma maneira, medicamentos antidepressivos podem ser úteis, especialmente se ocorrerem distúrbios como depressão e ansiedade. 

“O profissional deve fazer com que o paciente entenda que precisa existir um equilíbrio na alimentação. Em muitos dos casos de bulimia, a pessoa segue uma dieta (emagreça com o Tecnonutri) rígida e apresenta episódios de compulsão. Assim, é importante apresentar um plano alimentar equilibrado para aos poucos esses episódios irem diminuindo”, explica Alan David Nicolau. 

Não existem alimentos específicos que ajudem a tratar a bulimia. Entretanto, uma alimentação equilibrada de acordo com as necessidades energéticas da pessoa pode ser uma aliada. “O mais importante é a pessoa ter o entendimento de que uma alimentação restrita não vai ajudá-la a alcançar o seu objetivo, e sim, prejudicá-la”, orienta o especialista. “Assim, o ideal é trabalhar alimentos saudáveis, procurando evitar frituras, excesso de alimentos ricos em carboidratos simples, gorduras e sódio”, completa. 

Objetivos a serem alcançados durante e após o tratamento

  • Voltar à faixa de peso normal para idade, altura e sexo;
  • Ter alimentação adequada quali e quantitativamente, além de flexibilidade de acordo com situações sociais;
  • Não ter comportamentos compensatórios;
  • Não obedecer ao medo de engordar e à distorção da imagem corporal;
  • Saber identificar a doença e suas consequências.

Dicas para vencer a bulimia

  • Siga uma saudável com orientação de um especialista;
  • Informe-se: frequente os grupos de apoio existentes e conheça as complicações que podem ser causadas pela doença;
  • Procure ajuda médica novamente caso tenha alguma recaída;
  • Aceite uma imagem realista de corpo;
  • Exercite-se de forma saudável, sem exageros.

Sobre o autor

Amanda Figueiredo
Amanda Figueiredo
Jornalista, editora sênior de nutrição, saúde e bem-estar.