Como vencer a sua batalha emocional

Batalha emocional, ou batalha interna, pode ser definido como qualquer estado que nos deixa fora de nosso eixo, do nosso equilíbrio, como ansiedade, depressão, raiva, impulsividade, tristeza. 

Quando você vivencia esses sentimentos por períodos prolongados é preciso buscar ajuda, pois são sinais de que você perdeu seu centro e está em uma batalha interna, com a mente agitada e sem saber para onde ir.

Reza a lenda que temos dois lobos que brigam dentro de nós: um representa a luz, a força, a bondade, a transformação, a resiliência. O outro lobo, as sombras, o medo, a tristeza, a raiva. 

O nosso maior inimigo, a maior batalha interna, é aquela que acontece dentro de nós. Nós só perdemos para nós mesmos.

Todos nós temos problemas, cada um vive e reage a eles de diferentes formas. Há pessoas que reconhecem o problema, buscam ajuda, inquietam-se, não ficam nos porquês: porque eu, por que logo agora que tudo ia bem?

Há pessoas que reconhecem os problemas, mas não querem falar deles, fingem que não existem, mas estão ali, com uma pedra no sapato, mas ignoram. 

Frases como: ‘está indo, vai ficar bem, vai dar certo’. Vai como? Se nenhuma ação está sendo feita para isso. Isso não é aceitação, isso é resignação.

Aceitamos uma situação quando conseguimos nos sobrepor a ela.

Contudo, estamos resignados a ela quando não nos movemos na direção que desejamos em nossa vida, mas ficamos presos à  situação a qual nos resignamos, compadecendo de nós mesmos, sentindo-nos vítimas da situação, e não fazendo nada a respeito, já que em diversas ocasiões digo a mim mesmo ‘isto é assim e não há nada que se possa fazer’. Sempre há que ser feito.

Dessa forma, me torno escravo da situação, do problema, me amarro a eles, me bloqueio na minha vida, já que penso que isto é o que tenho que viver e deixo de procurar opções. Resigno-me.

A aceitação é não ir contra a correnteza, mas aproveitar as situações como aprendizado. Sempre existe a possibilidade de corrigir, ressignificar o rumo da nossa vida.

Em uma batalha emocional, você escolhe a emoção que ganha: Reclamar ou partir para ação? Se eu entendo e aceito o que acontece na minha vida, serei dono da mesma, superando os obstáculos, buscando aprendizado. Se for o contrário, me resigno, e assim, permanecerão comigo a dor e sofrimento.

A forma como focamos certas emoções definirá a forma de reagirmos diante dos obstáculos da vida. Podemos ter comportamentos proativos ou de uma forma conflitante.

Mude os pensamentos automáticos e negativos

Pare de repetir a mesma coisa: ‘eu não consigo, eu não posso, não vai dar’. Se você já tem essa leitura negativa, só vai potencializar aspectos ruins, vai ocupar a sua mente ruminando pensamentos de autoestima baixa, insegurança.

Olhe as experiências sem levar em consideração os conceitos de aprovação ou desaprovação, seja gentil consigo mesmo. 

Cuidado com a crença do demérito

Muitas pessoas acreditam que resultados acontecem, que transformações existem, mas pensam: ‘vamos ser realistas, será que vai ser eu, será que eu mereço?’

Sim, você merece tudo que a vida puder lhe oferecer de melhor, e tudo que você fizer para atingir seus objetivos. Isso não é prepotência, isso é confiar em si, amor próprio, autorrespeito.

Prepare seu ambiente para aumentar a sua crença no mérito, cerque-se de pessoas boas, consuma conteúdos que elevem, agreguem.

Existe o tempo do planejamento e existe o tempo da ação

Não estou falando de escolhas apenas no sentido de querer, ou seja, de vontade. Pois as escolhas só existem na prática, no plano da ação.

Pergunte-se: ‘Que atos posso realizar para alavancar a minha carreira? Para meu emagrecimento se tornar qualidade de vida? Para melhorar minha vida amorosa? Para ser respeitado pelos outros? Para aumentar meus rendimentos? Para ser mais feliz?’

Não basta dizer a você mesmo: ‘Eu queria ser mais responsável, eu devia agir melhor com minha família’. É preciso tornar esse comportamento em atos.

Portanto, se queremos vencer a nossa batalha emocional, precisamos considerar: ‘Que atos eu poderia realizar? Quais são as minhas opções? Se eu preferir não fazer nada, estou disposto a assumir a responsabilidade por essa decisão?’

Decidiu está decidido

Depois que decidiu, não redecida. Quando decidimos que vamos fazer, já passamos da fase do planejamento.

Muitas pessoas decidem o que vão fazer, mas depois ficam se perguntando ‘será que é isso mesmo que eu quero?’ Faça. Depois que você fizer, aí sim, você avalia o que deu certo, o que deu errado, e melhora.

O primeiro passo de qualquer jornada é fazer. Não é fazer bem feito. É fazer. O bem feito pode vir depois. Não precisa acertar de primeira, faz, mede, aprende, melhora e faz e novo. No ciclo do faz de novo você vai ganhando excelência.

Não rejeite seus sentimentos, pensamentos e emoções:

Permita-se identificar sem negação, pensamentos, sentimentos, desejos e ações que fazem parte de nosso cotidiano e aceitar todas as partes de nossa personalidade, reconhecendo que todas elas foram úteis em algum momento de nossas vidas.

Aprenda a pedir ajuda. Ative o seu sistema de apoio. Tem gente que é muito ruim em pedir ajuda. Quando vai pedir ajuda já é tarde demais. Tem gente que acha que pedir ajuda é sinônimo de fraqueza, que é uma comprovação de incompetência, que é um atestado de ineficiência. E não é.

Reflita: 

Paz mental acontece quando você não tem pendências soltas. Se você vive dizendo que deveria fazer algo, sua mente está tomada de pendências desordenadas, e isso gera extrema ansiedade. Uma mente barulhenta não é capaz de realizar grandes feitos.

Temos de escolher se queremos ser parte da solução ou parte do problema. Assumir a nossa própria responsabilidade implica aceitar que aquilo que fazemos hoje é o ponto de partida para a mudança ou para a estagnação de amanhã. Responsabilidade implica esforço, sim, mas também implica poder e liberdade.

Linda Vieira – Psicóloga Clínica com com abordagem Fenomenológico-Existencial. Experiência em: depressão, fobias, estresse, ansiedade, sexualidade, relacionamentos e medos. Parceira no Programa de Emagrecimento Tecnonutri.

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