Age shaming: Entenda a vergonha de envelhecer

A idade chega para todos e, diversas vezes, as pessoas não conseguem lidar com o envelhecimento. Nos últimos anos, a vergonha de envelhecer ganhou até um nome: age shaming.

Assim como o “body shaming”, que consiste na vergonha do corpo, a age shaming afeta principalmente as mulheres. Segundo Brené Brown, pesquisadora da Universidade de Houston, nos Estados Unidos, a vergonha é um sentimento intenso de que somos imperfeitos e nos leva a acreditar que somos excluídos de certa forma.

Os sinais de envelhecimento nas mulheres costumam surgir após a menopausa e são tão naturais quanto a puberdade. No entanto, rugas e linhas de expressão podem ser fatores que fazem as mulheres não se sentirem atrativas. Por isso, muitas acabam optando por realizar procedimentos estéticos que visam trazer o aspecto de “juventude”. Além disso, as exigências para se encaixar em padrões de juventude e beleza costumam recair muito mais sobre as mulheres.

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comer bem e cuidar da mente

O envelhecimento também está ligado a algo nada confortável para a maioria de nós: a proximidade da morte. Assim, a ansiedade sobre o que está por vir desencadeia nas mulheres o desejo de esconder que estão envelhecendo. Dessa maneira, o age shaming afeta tanto a saúde física quanto mental. De acordo com estudos, quem encara o processo de envelhecimento de forma positiva, cuidando da saúde se alimentando e fazendo exercícios, tem menos riscos de desenvolver depressão e ansiedade. Ainda, outro benefício é a longevidade. 

Age shaming x autoaceitação

A ideia de autoaceitação deve ser adotada especialmente por mulheres mais velhas. A necessidade extrema de manter o corpo “jovem” intacto ao longo dos anos não é normal.

Todos nós estamos destinados ao envelhecimento, assim como a cor dos nossos olhos, as rugas também nos pertencem. Assim, envelhecer não pode ser sinônimo de limitações, mas sim de amadurecimento, experiência, autoconfiança, além de muitas conquistas e aprendizados.

Como melhorar a sua autoestima e se aceitar

  • Cerque-se de pessoas que ajudem você a enxergar e resgatar seus valores – inclusive auxílio profissional. Fazer terapia é uma forma de mergulhar em suas camadas mais profundas e descobrir a origem de suas inseguranças.
  • Faça uma lista com todas as qualidades e conquistas que você possui. Deixe-a em um local visível para sempre se lembrar.
  • Inspire-se e se espelhe em pessoas que são exemplo de autoestima elevada, que se amam como são, independentemente de peso, forma física e situação de vida. Lembre-se de que a satisfação deve ser de dentro para fora, mas ter ídolos que impulsionem esse processo pode ajudar.
  • Crie uma rotina de autocuidado, com atividades que façam você se sentir bem. Experimente dar uma caminhada depois do trabalho, praticar yogameditar, fazer uma refeição saborosa. Tudo é válido para se sentir bem e se curtir.
  • Corte relacionamentos tóxicos de sua vida – pessoas que reclamam demais, que julgam ou que fazem de tudo para que você se sinta desconfortável ou diminuído.
  • Mesmo que você não se sinta satisfeito com sua imagem ou com algo em sua rotina, tudo bem. Valorize seus pontos fortes e crie estratégias para mudar o que não está bom.
  • Respeite seus altos e baixos. Mesmo com a autoestima elevada, é normal ter dias ruins e se sentir mal. Aprenda a diferenciar momentos de estados permanentes para não alimentar sentimentos negativos.
  • Busque autoconhecimento: faça um curso, retiro ou qualquer vivência que alimente a mente com informações e experiências enriquecedoras. Às vezes, até um bate-papo com amigos pode ser uma oportunidade de recuperar a autoestima perdida.

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Sobre o autor

Julia Moraes
Julia Moraes
Estagiária de Jornalismo